Paris - Metro
Num vag?o um trompete, depois da baldiac?o um violino. Bancos estreitos, as capas se rocam enquanto a fluoxetina faz efeito nas senhoras, elas se sentam de costas para o sentido do vag?o, n?o veem o percurso de frente.
As velhas s?o de porcelana, trincadas da base a borda, sulcos que elas cobrem com talco. A fluoxetina chega a alca da xicara e reforca a cola, ninguem aguenta tanto passado.
O metro e subterraneo para quem esta no jardim, pra quem desce a escada esta a flor do sol, uma boca com halito quente. Ratos cordiais na lingua, nos trilhos. A garganta faz curvas e vou miuda pelas varizes da cidade, a velha arcaica.
O violinista saiu e entrou um flautista, eu estava a caminho do Pere-Lachaise. Percebo que meu caderno exala baunilha, um sache no fundo da bolsa.
Andei como fiel em prociss?o. Tudo pra chegar em casa e decantar a beleza, esquentar a sopa, morder o macio do p?o, manteiga com sal grosso, o vinho da cor dos cachecois.

foto: Brassai



